O que a gente aprendeu em mais de 2.000 projetos
Em 20 anos fazendo conteúdo, alguns padrões ficaram tão óbvios que parece estranho ter demorado tanto para perceber. A gente anotou os mais importantes.
Em mais de 2.000 projetos, a gente errou bastante. Aprendeu bastante também. E algumas coisas ficaram tão claras com o tempo que parece estranho ter demorado tanto para perceber.
Nenhuma delas tem a ver com câmera, microfone ou plataforma. Todas têm a ver com escuta.
O formato vem por último
Quando alguém chega com um projeto de conteúdo, a primeira pergunta quase sempre é: vamos fazer um podcast ou um vídeo?
É uma boa pergunta. Mas ela é a segunda. A primeira é: o que essa história precisa? Para quem ela vai ser contada? Com que intenção?
O formato é consequência. Quando ele vem antes da história, o conteúdo sai bonito por fora e vazio por dentro.
Esse foi o erro mais comum que a gente viu nos projetos que não funcionaram. E a gente viu bastante.
O cliente quase sempre já sabe
Uma das coisas mais contraintuitivas de todos esses projetos: na maioria das vezes, a marca já tem a história. Ela só não tem certeza de que ela é boa o suficiente.
Quantas vezes a gente ouviu: "Não sei se isso vai interessar alguém"? E quantas vezes esse conteúdo virou o mais assistido, o mais compartilhado, o que mais trouxe contato de cliente novo?
Parece que as pessoas subestimam o que sabem. E é exatamente aí que entra o papel de uma boa produtora. Não como quem diz o que contar. Como quem ajuda a desempacotar o que já está lá.
A conversa vem antes da câmera. A escuta vem antes do roteiro. A melhor ideia quase sempre é a que a gente constrói junto.
O que os projetos bons têm em comum
Quando a gente olha para os projetos que geraram mais impacto, eles compartilham algumas coisas que não têm nada de técnico:
- ·A marca sabia o que queria dizer antes de saber como ia dizer.
- ·Havia um ponto de vista, não só um tema.
- ·O conteúdo foi feito para uma audiência específica, não para todo mundo.
- ·A produção entendeu o contexto antes de propor qualquer coisa.
O quarto ponto é onde muita produtora falha. Chegar com a proposta pronta, o template, o formato que está funcionando para outro cliente. Funciona às vezes. Mas é muito diferente de chegar com perguntas.
O que mudou em 20 anos
A gente começou quando podcast não era nem uma palavra que as pessoas usavam por aqui. Passou pelo YouTube, pelas redes, pelo vídeo vertical, pelo áudio em smart speaker, pelo live commerce.
Muita coisa mudou. Os formatos evoluíram. As ferramentas ficaram mais acessíveis. A barreira para produzir conteúdo caiu quase a zero.
Mas as pessoas ainda querem ouvir histórias. Ainda se conectam com vozes autênticas. Ainda preferem conteúdo que parece feito para elas.
Isso não mudou. E provavelmente não vai mudar.
Uma última coisa
Se tem uma frase que resume o que a gente aprendeu nesses 2.000 projetos, é que conteúdo ruim é caro. Não pela produção. Pelo desperdício de atenção de quem você queria alcançar.
Conteúdo bom começa antes da câmera. Começa numa conversa. E, de preferência, com café passado.
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